“Falência hídrica” no debate global: ABRHidro destaca importância de monitoramento e gestão para decisões seguras
- Comunicação ABRH
- há 3 dias
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A discussão sobre a chamada “falência hídrica” ganhou espaço na cobertura da imprensa nas últimas semanas, ao reverberar notícias de diferentes regiões do planeta, perpassando pela demanda por água doce, que tem ultrapassado a capacidade de reposição natural.
O tema, associado às mudanças climáticas e à intensificação de eventos extremos, amplia a necessidade de analisar com responsabilidade os sinais do cenário atual, não apenas como crises pontuais, mas como possíveis mudanças estruturais nas condições de ocorrência da água em determinados territórios.
Para a Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRHidro), a pauta exige atenção qualificada, avaliação de dados e fortalecimento de instrumentos que permitam compreender riscos e orientar políticas públicas e decisões técnicas.
Presidente eleita da ABRHidro para a gestão 2026–2027, Suzana Maria Gico Lima Montenegro destaca que a Associação, com 48 anos de atuação, é dedicada ao desenvolvimento científico e técnico das águas e suas relações com a saúde, a agricultura, os ecossistemas e a vida urbana. “Água é um elemento essencial à vida humana, mas também está presente em tudo o que precisamos para viver”, afirma. Segundo ela, uma das principais bandeiras da ABRHidro é a segurança hídrica, entendida como a garantia de água em quantidade e qualidade adequadas, com manutenção dos ecossistemas e atenção à resiliência frente aos eventos extremos. “A água do planeta é fixa, mas as condições de circulação dessa água, o ciclo hidrológico, podem entrar em desequilíbrio. Quando há esvaziamento de reservatórios subterrâneos, você rompe esse equilíbrio”, explica.
Águas subterrâneas: reservas estratégicas sob risco de desequilíbrio
O alerta se intensifica quando o foco recai sobre as águas subterrâneas. Embora o Brasil possua reservas expressivas, incluindo aquíferos de referência mundial, a presidente eleita da ABRHidro chama atenção para a dinâmica lenta de reposição desses sistemas. “Se a gente retira mais do que a natureza é capaz de repor, essa reposição é muito difícil, muito diferente das águas superficiais”, pontua. A redução de volumes subterrâneos pode afetar diretamente rios, lagos e nascentes, evidenciando a conexão entre os diferentes compartimentos do ciclo hidrológico. Em áreas costeiras, o risco se amplia com a possibilidade de intrusão salina, comprometendo a qualidade da água e podendo provocar processos como salinização e subsidência do solo.
Atenção e contribuição
Diante desse contexto, a presidente eleita destaca que a ABRHidro acompanhará de forma atenta e propositiva as discussões que vêm sendo pautadas pela mídia e por organismos internacionais, buscando traduzir o debate em caminhos aplicáveis à realidade brasileira, com base em ciência, governança e planejamento. O objetivo é contribuir para que o país avance na prevenção de riscos, na adaptação às novas condições climáticas e no fortalecimento de instituições e políticas capazes de garantir segurança hídrica para a população, para a produção e para os ecossistemas.








