Quando o exemplo vira legado: Dia dos Pais inspira história de Jerson e Rafael Kelman na comunidade da água
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Pai e filho compartilham uma trajetória marcada pela engenharia, pela gestão dos recursos hídricos, pela pesquisa, pela inovação e por uma convivência em que os ensinamentos atravessam gerações
Há ensinamentos que não precisam ser repetidos muitas vezes para permanecer. Eles se constroem no convívio, no exemplo, nas escolhas diárias e na forma como uma trajetória pode inspirar outra. No Dia dos Pais, a ABRHidro celebra histórias em que afeto, conhecimento e compromisso público se transformam em legado.

Na comunidade da água, essa transmissão entre gerações ganha um significado especial. A gestão dos recursos hídricos exige rigor técnico, escuta, diálogo, responsabilidade coletiva e compromisso com o futuro. Em muitos casos, esses valores também se fortalecem dentro de casa, nas conversas, nas referências e nas experiências compartilhadas.
É nesse contexto que a ABRHidro conta a história de Jerson Kelman e Rafael Kelman, pai e filho, ambos engenheiros civis, com trajetórias profissionais, acadêmicas e institucionais ligadas à área de recursos hídricos e à Associação.
Uma história conectada à trajetória da ABRHidro
A ligação de Jerson Kelman, 78 anos, com a ABRHidro vem desde a origem da Associação. Engenheiro civil pela Escola de Engenharia da UFRJ, mestre pela COPPE/UFRJ e Ph.D. pela Colorado State University, Jerson foi, em 1977, um dos organizadores do Seminário de Hidrologia e Recursos Hídricos na UFRJ, evento em que foi fundada a ABRHidro. Também integrou a primeira diretoria da Associação, no biênio 1977-1979, e foi presidente da entidade entre 1987 e 1989. Atualmente, é membro dos conselhos de administração da Iguá Saneamento, Orizon e Evoltz.
Rafael Kelman, 52 anos, também é engenheiro civil pela Escola de Engenharia da UFRJ, mestre e doutor pela COPPE/UFRJ. É diretor executivo da PSR, onde coordena projetos em mais de 30 países nas áreas de energia, recursos hídricos e inovação. Na ABRHidro, foi diretor no biênio 2012-2013.
A trajetória dos dois revela uma continuidade que vai além da formação acadêmica. Ela mostra como a ciência da água, quando vivida também no ambiente familiar, pode se tornar linguagem comum, inspiração profissional e caminho de construção conjunta.
Da convivência familiar à escolha profissional
A aproximação de Rafael com a área de recursos hídricos começou ainda na adolescência, ao acompanhar de perto a paixão e a dedicação do pai pela profissão. Essa curiosidade natural o levou à Engenharia Civil e, posteriormente, à especialização em recursos hídricos no mestrado.
Foi nesse percurso que a relação entre pai e filho também se estreitou no ambiente acadêmico. Rafael foi aluno de Jerson na disciplina de Hidrologia Estocástica e, mais tarde, já integrando a equipe da PSR, concluiu o doutorado em otimização.
A convivência profissional entre os dois sempre se entrelaçou de forma natural e harmoniosa com a vida familiar. Em quase todos os encontros de família, Jerson e Rafael encontram um momento a sós para colocar as “agendas profissionais” em dia, trocar ideias ou colaborar em novos artigos.
No início, predominavam os conselhos do pai. Com o tempo e a maturidade, a troca tornou-se bidirecional, com o filho também aconselhando o pai. Quando a conversa técnica se estende além da conta, entra em cena o “cartão vermelho” de Celeste, mãe de Rafael e esposa de Jerson há 56 anos, lembrando aos dois, com delicadeza, que o momento também é de família.
Experiência, inovação e continuidade
Entre as realizações de Rafael, um assunto desperta especial interesse em Jerson: as atualizações do Hera, modelo computacional para estudos de hidrelétricas e usinas reversíveis, com armazenamento por bombeamento.
A ferramenta busca conciliar viabilidade econômica com impactos sociais e ambientais, conectando energia, recursos hídricos, inovação e planejamento.
Além das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, Rafael também desenvolve um lado empreendedor e empresarial complementar. Essa combinação entre ciência aplicada, tecnologia e visão de futuro traduz uma das marcas da troca entre gerações: de um lado, a experiência acumulada ao longo de décadas; de outro, novas ferramentas, novas linguagens e novas formas de enfrentar desafios complexos.
Para pai e filho, quando a ciência da água atravessa os vínculos familiares, muda também a forma de enxergar os desafios da profissão. Eles passam a ganhar continuidade, afeto e cumplicidade.
O interesse pela água e o compartilhamento de conhecimentos entre gerações transformam a atividade profissional em uma linguagem comum em família. Essa convivência permite reunir a experiência acumulada ao longo dos anos com novas ferramentas técnicas e visões renovadas do setor, como modelos de circulação global, modelos digitais de terreno, sensoriamento remoto e uso da inteligência artificial.
No fim, percebe-se que a paixão pela gestão dos recursos hídricos e pelo impacto econômico e social da engenharia é algo que se transmite pelo exemplo.
Uma mensagem às novas gerações da comunidade da água
A história de Jerson e Rafael também deixa uma mensagem importante aos novos profissionais, pesquisadores e estudantes que estão começando sua trajetória na área:
“Sugerimos que combinem rigor técnico e inovação com uma curiosidade permanente e uma capacidade de escuta e diálogo interpessoal, pois a gestão de recursos hídricos é, acima de tudo uma construção coletiva entre diferentes usos e visões de sociedade. O maior aprendizado que levamos da família para a vida profissional — e vice-versa — é o equilíbrio entre firmeza nos princípios e capacidade de diálogo nas decisões. Assim como em uma família estruturada, a gestão da água exige respeito ao próximo, saber ouvir, ponderar interesses divergentes e agir pensando nas próximas gerações”.
Legados que seguem correndo como água
No Dia dos Pais, a história de Jerson e Rafael Kelman é um exemplo que nos lembra que legados não são apenas herdados: são cultivados, atualizados e compartilhados. Na comunidade da água, eles podem surgir em uma sala de aula, em uma pesquisa, em um projeto, em uma conversa de família ou em uma vida inteira dedicada a compreender, planejar e cuidar de um recurso essencial.
A ABRHidro celebra essa trajetória e reconhece, nela, tantos outros exemplos de pais que inspiram filhos, estudantes, equipes, colegas e novas gerações de profissionais comprometidos com a gestão das águas no Brasil.
A todos os pais da comunidade ABRHidro e do nosso país, em dedicação ao seu ofício e à nobre missão de criar um filho, a Associação deseja um Feliz Dia dos Pais, com reconhecimento, afeto e gratidão pelos exemplos que seguem formando caminhos.






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