El Niño 2026–2027 exige gestão de risco, monitoramento contínuo e articulação institucional, avalia presidente da ABRHidro
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A configuração do El Niño 2026–2027 jdeve exigir atenção permanente de gestores, pesquisadores, órgãos de monitoramento e da sociedade. É o que destaca a presidente da ABRHidro, Suzana Montenegro, em áudio no qual comenta o cenário climático, seus possíveis impactos sobre os recursos hídricos e a importância de uma atuação preventiva diante do fenômeno.
Em sua análise, Suzana Montenegro ressalta que o aquecimento do Pacífico Equatorial já configura uma anomalia observada, e não apenas uma projeção. Segundo ela, o ponto central agora é acompanhar como o fenômeno irá se manifestar no Brasil e quais impactos poderá gerar em diferentes setores, como economia, saúde, turismo, agricultura e, especialmente, recursos hídricos e desastres relacionados à água.
A presidente observa que os impactos podem variar regionalmente, incluindo maior risco de enchentes no Sul e secas mais acentuadas no Nordeste e no Norte. No entanto, ela destaca que a magnitude desses efeitos ainda depende de fatores que precisam ser monitorados continuamente, como a influência do Oceano Atlântico, que pode atenuar ou modificar os impactos esperados em determinadas regiões.
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Material recomendado é o Painel El Niño 2026–2027, boletim mensal elaborado de forma conjunta por INPE, INMET, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
Como é possível conferir no anexo, ele confirma que, em junho de 2026, o fenômeno já estava configurado, com modelos indicando probabilidade acima de 90% de permanência até, pelo menos, o início de 2027 e alta probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre a primavera e o verão de 2026.
De acordo com o boletim, a previsão climática para o trimestre julho-agosto-setembro de 2026 aponta, de forma geral, para chuvas acima da média em áreas da Região Sul e chuvas abaixo da média no centro-norte do país. O documento também alerta para temperaturas acima da média no segundo semestre, com possibilidade de aumento de ondas de calor e incêndios florestais.
O boletim desperta para a necessidade de acompanhamento contínuo das condições meteorológicas e hidrológicas, justamente para monitorar possíveis impactos em diferentes áreas da economia brasileira e orientar ações de autoproteção da Defesa Civil.
Para Suzana, uma diferença importante em relação a eventos anteriores, como o El Niño de 2015–2016, está no avanço das ferramentas de previsão meteorológica e climática, hoje mais modernas e capazes de antecipar cenários com maior qualidade. Ela avalia que esse aprimoramento permite uma mudança fundamental: sair da lógica da gestão de crise, quando os desastres já estão instalados, e avançar para uma gestão de risco, baseada em planejamento, monitoramento, preparação e resposta antecipada.
A presidente também destaca o fortalecimento das parcerias entre instituições nacionais e internacionais. No Brasil, órgãos como ANA, SGB, Cemaden, INMET, INPE e Defesa Civil vêm atuando de forma articulada na emissão de boletins e painéis de acompanhamento. O próprio boletim aponta que a atuação antecipada e coordenada entre diferentes níveis de governo e instituições parceiras é essencial para reduzir os impactos do El Niño sobre a população brasileira.
Outro ponto destacado por Suzana é que uma seca meteorológica nem sempre se transforma imediatamente em seca hidrológica ou agrícola. Por isso, o acompanhamento das condições dos reservatórios, da umidade do solo, das chuvas observadas e das respostas das bacias hidrográficas será determinante para orientar decisões ao longo dos próximos meses.
Por meio de suas Comissões Técnicas, Regionais e associados, a Associação pode contribuir com análises, debates, produção de conhecimento e apoio à construção de estratégias de adaptação, resiliência e enfrentamento aos extremos climáticos.
A recomendação central é clara: acompanhar os boletins oficiais, fortalecer alianças, qualificar a comunicação de riscos e investir em planejamento. Como resume a presidente da ABRHidro, não se trata de “combater” o fenômeno, mas de ampliar a capacidade de adaptação, reduzir vulnerabilidades e preparar o país para impactos potencialmente mais severos em um cenário de mudanças climáticas.
Ouça o áudio na íntegra e siga acompanhando os canais da ABRHidro.






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